subir ao palco é como beijar alguém pela primeira vez.
nunca sabemos o que nos espera.
o nervosismo no segundo anterior ao beijo.
a explosão de sensações e abstracções.
sentir as luzes e o chão a fugir... é como voar.
os aplausos.
mah-jong.
um coração preenchido e vazio recorda a lembrança sobressaltada.
vislumbra de forma adoidada o pequeno clarão, onde a grandeza da alma existe e desiste. encantada, fascinada e seduzida em ventos norte, gélidos, as flores transformam-se e desdobram-se em dragões de cor intensa, aflitiva, ofegante e muito crespa.
um trovão.
uma catástrofe.
uma imensidão.
apenas um jogo.
vislumbra de forma adoidada o pequeno clarão, onde a grandeza da alma existe e desiste. encantada, fascinada e seduzida em ventos norte, gélidos, as flores transformam-se e desdobram-se em dragões de cor intensa, aflitiva, ofegante e muito crespa.
um trovão.
uma catástrofe.
uma imensidão.
apenas um jogo.
hoje queria que fosse o primeiro.
o início.
a cidade deixa de ser minha.
vou colocar as chaves em cima da mesa da sala. como combinado.
fechar a porta sem olhar para trás.
suster as lágrimas e pensar que o nó na garganta não existe.
atravessar a rua para não regressar.
a cidade deixa de ser minha.
vou colocar as chaves em cima da mesa da sala. como combinado.
fechar a porta sem olhar para trás.
suster as lágrimas e pensar que o nó na garganta não existe.
atravessar a rua para não regressar.
cor de fogo.
não paraste.
nem sequer abrandaste.
nem tão pouco me aconchegaste, nesta avalanche contagiada pelo passado raiado de comoção.
não paraste.
ninguém parou.
não desapareci,
fiquei num palanque de medalhas cor de fogo.
nem sequer abrandaste.
nem tão pouco me aconchegaste, nesta avalanche contagiada pelo passado raiado de comoção.
não paraste.
ninguém parou.
não desapareci,
fiquei num palanque de medalhas cor de fogo.
a carta de amor que te prometi...
não será escrita em papel, para que nunca se rasgue.
será assim para que não restem dúvidas que te guardo numa estrela.
será assim para que não restem dúvidas que te guardo numa estrela.
!
saber colorir o céu e esperar pelo baloiço de verão, é não dormir na ansiedade de chegar à terra quente, encher os pulmões e a alma de vós.
abraçar-vos nas estrelas do sossego da segurança.
por fim o albergue de tudo aquilo que sou.
abraçar-vos nas estrelas do sossego da segurança.
por fim o albergue de tudo aquilo que sou.
o bocejo de Topázio.
Topázio, prima de Azul, dona da casa verde que serve de disfarce ao cerejal. tem como profissão gargalhar e serenar o divino cinemascópio que divide o trampolim de rosas.
Topázio, uma senhora sábia, prende a sua trança com um dente de leão, que o senhor barqueiro encontrou numa dessas viagens.
Topázio, uma senhora sábia, prende a sua trança com um dente de leão, que o senhor barqueiro encontrou numa dessas viagens.
...
harmoniosa sobreposição de sons, entram em vibração pelas cores felizes da tela desenhada numa fábrica de seda de um país de ondas espumantes.
a cidade.
a cidade vagueia sozinha,
cada um dos seus inquilinos não sabe o quão desabitada se sente.
nunca viajou mas sabe que existem outras como ela que abrigam todos os que lhe pertencem.
adormece por último quando todos se recolhem ao silêncio e tranquilidade.
não tem insónias.
cada um dos seus inquilinos não sabe o quão desabitada se sente.
nunca viajou mas sabe que existem outras como ela que abrigam todos os que lhe pertencem.
adormece por último quando todos se recolhem ao silêncio e tranquilidade.
não tem insónias.
ano novo que nasce.
vai despertar a claridade translúcida, somente, pelo som das letras.
fecho os olhos, aperto as mãos e imagino-me a fixar-te, não o olhar mas sim o teu beijo.
em fases menos profundas sinto a lembrança embriagada pela seda leve a soprar nua no baú onde guardas de forma sonora as palavras surdas.
quero à meia-noite dizer-te, com a voz sufocada e rouca, para que não ouças, que ainda te amo.
a cidade... sozinha de tão bela.
era azul.
sim, era conhecida pela luz azul turquesa de verão e o azul intenso de inverno.
os de fora viajavam para ver o azul esverdeado da primavera e outono.
faziam fila para entrar.
faziam fila para sair.
ninguém queria lá morar, só visitar.
sim, era conhecida pela luz azul turquesa de verão e o azul intenso de inverno.
os de fora viajavam para ver o azul esverdeado da primavera e outono.
faziam fila para entrar.
faziam fila para sair.
ninguém queria lá morar, só visitar.
bom dia.
sorte.
acaso.
incerto.
do outro lado do mar, na eternidade.
longe demais e onde a realidade se articula por sombras chinesas, som cristalino de cor purpúrea ou violeta.
um jardim de cravos muito belo, aromático, celestial, imaculado, perfeitíssimo, guarda o sonho de doze compassos teus.
acaso.
incerto.
do outro lado do mar, na eternidade.
longe demais e onde a realidade se articula por sombras chinesas, som cristalino de cor purpúrea ou violeta.
um jardim de cravos muito belo, aromático, celestial, imaculado, perfeitíssimo, guarda o sonho de doze compassos teus.
boa noite.
estou cansado.
doem-me as palavras .
os olhos não fecham, parecem labirintos de alto mar.
no bolso escondo a tuba, o banjo, a lira e o berimbau.
estou cansado.
afinal o problema, a ideia distorcida deixou de se fazer sentir.
sabes que te amo.
imagino-me no reino do Deus da Chuva, Tlaloc, onde o universo se equilibra, ajusta as suas contas.
contar-vos-ia como descrevo a paz mas não hoje... estou cansado.
doem-me as palavras .
os olhos não fecham, parecem labirintos de alto mar.
no bolso escondo a tuba, o banjo, a lira e o berimbau.
estou cansado.
afinal o problema, a ideia distorcida deixou de se fazer sentir.
sabes que te amo.
imagino-me no reino do Deus da Chuva, Tlaloc, onde o universo se equilibra, ajusta as suas contas.
contar-vos-ia como descrevo a paz mas não hoje... estou cansado.
só o som do realejo aquece.
um congelado de beijos teus, cai em flocos sobre o chão que me ampara. desampara.
descalças pegadas vão marcando a trajectória, a fina linha, a minha estrada, o meu limite.
sobrevoo essa linha e num acto cego de amor tento ler, adivinhar o futuro ou a sorte.
azul.
azul porque se veste sempre da cor do céu sem nuvens, tem cabelos curtos de um âmbar quase transparente.
diz-se que o seu coração arde sem chama e sem cheiro.
em movimentos amenos, sem rigor, desfaz com o seu ancinho os torrões que atrapalham o enraizamento da cerejeira que cobre a secreta entrada. tem de ser regada todas as terças-feiras por ter um enguiço ou um mau olhado. não sei bem.
diz-se também que, azul encantou o amolador deixando-o levemente embriagado e esquecido de tocar a chuva.
há duas mil e quatro cerejeiras e só uma é que não pode ser encontrada.
se chover ou se for regada no dia errado ela se exibe num clarão magenta, pondo a descoberto o castelo tão bem guardado.
jardim flutuante.
estou aqui. longe da gramática que te escreve , talhando e incrustando o colapso divino de um fascínio de ti.
viajante.
procuro o mercador que transporta uma carga valiosa de boiões de jade, trancam os teus beijos lâminas de maçã. colossais.
concede-me.
o vento sopra dessa direcção.
a paralisia de um novelo, verde violeta, de frases finitas tricotadas por monólogos que servem de agasalho ao velho faroleiro. o gato que o acompanha espia de longe o movimento que as linhas tecem e reúnem manuscritamente a alma daquele navio abandonado.
revive não vive.
sentado a olhar o azul celeste do mar escreve e rescreve os reflexos opala dos dias que outrora foram tão seus.
diz-se...
o amâgo do mundo repousa num castelo inactivo e guardado por um sefia de corpo castanho- azulado e prateado.
diz-se que é um lugar cuidadosamente separado, sereno, mortificado pela palavra oculto, o som vem da clarabela que só toca alegros, por ser uma música viva e alegre... somente por isso!
diz-se que é segredo, que não está divulgado.
ele.
em sístoles e diástoles ele sobrevive para ti.
em meios tempos ele se desliga do mundo numa arritmia com a forma geométrica do tic- tac.
em sabores com cheiro de vento sul ele se exalta numa mazurca em tons de cereja.
conduziste o meu olhar através de ti, manipulando o abismo.
descobri palavras de certeza maior em noites tranquilas semeadas a dois.
beijaste-me sobre a linha do horizonte onde um dia chorei lágrimas de mil cores.
abraçaste-me por inteiro e ainda hoje sinto uma espécie de profunda paz.
enrosco-me na tua saudade.
beijaste-me sobre a linha do horizonte onde um dia chorei lágrimas de mil cores.
abraçaste-me por inteiro e ainda hoje sinto uma espécie de profunda paz.
enrosco-me na tua saudade.
deixo cair sobre o céu a morada de um coração sem receio.
voo até ti na esperança de pousar sobre o teu colo e de ouvir a história, justa de exacta duração, daquilo que somos.
deixo cair sobre o céu a morada de um coração sem receio.
deslizo nesta alquimia de luz respirando sensações de vertigem inventadas num estrondoso desejo de mergulhar numa água tão doce.
o talismã do meu mundo és tu.
encontrei-te em cima de um palco, enfeitado pelo som da tua flauta a fervilhar em tons de amarelo, fazendo escorrer sobre mim a luz que só a chuva de verão traz.
deixaste-me o nascer da paz, que se passeia em voos líricos inventados por ti quando a terra tem o cheiro do amanhecer simples de um futuro encharcado em dias de madre- pérola.
pensei... hoje é dia para ser feliz!
não são mais que pegadas.
usaste a tua harpa, ao ritmo de uma pulsação longínqua, para me hipotecar o segredo.
disseste que o mercador dos sonhos te dissera que o mundo era real e feito de colibris verdes.
transformaste-me num ilusionista que me embriaga, inunda e desvenda incertezas nas vontades suspensas dentro deste espaço que sou eu.
escorrego nestes dias que não são mais que pegadas à espera do ar por onde esvoaçam, fechados, os teus suspiros.
naveguei de árvore em árvore como se o mundo tivesse surgido num alfarrabista com mãos de mistério, olhos pasmados e palavras de lonjura.
prometeste a palavra para sempre e disseste que dentro dos livros há uma roda viva pousada numa entropia de porta trancada.
e aqui estou eu, ilusionista, ao som da alquimia dos teus desejos.
sempre te vi dançar.
abri todas as janelas na esperança que fossem portas.
o tempo urge e o incumprimento da tua promessa é real e silenciosa.
ensinaste-me a não esperar por ti, embora o faça inconscientemente.
habituaste-me ao teu palco onde, em vertiginosos fouttés e arabesques perfeitos, o teu corpo seduz a plateia.
afinal, para ti, eu era mais um que te sonhava.
esta sensação estranha que espanta os meus dias.
estendo a minha mão até ao outro lado da rua.
atravesso no sinal verde e corro. fujo!
o piano não pára de tocar os meus segredos.
ergo a outra mão para guardar as lágrimas. inútil.
percorro as avenidas chuvosas desta cidade que não é minha.
esta sensação estranha que espanta os meus dias, repouso nela e digo-lhe que amanhã escolho o meu destino, afinal, em toda a vida há pelo menos um dia em que existimos a vida inteira.
é assim que te quero amar.
o vento passou e tu disseste que era mais um pretexto para eu ser mais teu.
as borboletas começaram a voar e tu balbuciaste que era para encher o meu coração de ti.
as flores vestiram-se de vermelho cristal e aroma de jasmim, para que numa valsa incrustada de um piano eu rodopiasse sob a luz intensa de cada retalho caleidoscópico.
em silêncio, o tempo suspenso na sua grandeza deixou o sol derreter os seus raios clandestinos num perfeito e memorável privilégio que é o teu beijo.
porque quero que o meu coração adormeça e não te reconheça.
daqui observo um mundo de pessoas que devoram um café e correm como se a vida inteira acontecesse num só dia.
para mim ele continua quieto e sinto-me perdido nesta imensidão.
atravessaste a rua e escolheste o meu coração para habitar... e eu ainda deslizo sozinho na tua história inventada numa fracção de segundo.
debaixo do teu riso.
escondo-me dentro dos teus olhos água para que não me vejas.
sento-me debaixo do teu riso para me afogar na gargalhada chamada de meu futuro onde se desenha um coração com nome próprio.
deito-me na direcção da tua voz para planar nos sonhos acordados pelos mistérios de um farol com luz de liberdade.
adormeço-me na candura dos teus lábios em forma de assombro.
ouço-me em violinos silenciosos que respeitam a respiração do rumo de quem tu és.
pôr do sol.
- tapo o nariz e mergulho.
- e depois?
- fico a ouvir o mundo ao longe.
- onde acaba?
- ali. onde está o sol.
- vejo. o sol arrefece?
- sim. a água aquece.
- juras?
-o quê?
- que debaixo do mar se ouve o mundo.
cresci a admirar-te.
com o meu lápiz de carvão escrevo, escrevo-me de forma confusa, imensa e infinita.
não sei bem quem sou e guardo na gaveta da memória momentos pelos quais sorri.
na esperança por pouco encontro o meu verão onde plantei os sonhos olhando o céu através das folhas, baloiçando no riso da eternidade.
ouço-te ao longe, em segredo, pois sinto o vento a cantar.
debaixo do céu vermelho, em noite quente tu existe, exististe, para me ensinar que era sinal de vento.
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